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Dando os passos

21 out

O primeiro contato com uma redação aconteceu no portal Tudo na hora, onde estive em 2010 como estagiária e em 2011 como repórter. Depois vieram a redação do Melhor Notícia e minha imersão no mundo dos blogs, uma das paixões. Entre vários materiais que produzi, elenco alguns que aponto como os mais significativos durante esse período.

O tempo e a (falta de) memória  contribuíram para que outros textos fossem esquecidos, o que acaba dificultando o processo de construção do portfólio. Mas espero que os textos consigam mostrar um pouco do que já fiz!

Taxistas ignoram clientes e carros somem da praça em Maceió

21 out

*Matéria publicada no portal Tudo Na Hora

Pedir um taxi pelo telefone, esperar mais de uma hora e o carro não chegar. Essa virou a rotina de várias pessoas que usam o serviço em Maceió. Apesar de o Sindicato dos Taxistas afirmar que os mais de 3 mil carros cadastrados que circulam pela capital são mais do que suficientes para atender à demanda, os usuários reclamam da demora e da escassez do serviço. O Tudo Na Hora foi às ruas na última quinta-feira (23) e conversou com taxistas, que afirmaram preferir ficarem parados durante algumas horas do dia do que enfrentar engarrafamento, chegar atrasado ao destino e não ganhar o equivalente pela corrida.

Um dos motoristas, que preferiu não se identificar, contou que várias vezes dispensou clientes, afirmando que o trânsito, em certas horas do dia, impede a chegada mais rápida aos destinos. “Semana passada, recebi um chamado para atender uma cliente no Tabuleiro. Eram oito horas da manhã e com o trânsito chegaria muito atrasado e demoraria pelo menos uma hora para atender somente uma pessoa. Não compensaria. Então preferi ficar parado”, contou.

Outro taxista relatou que se o trânsito estiver complicado, prefere não atenderaos clientes. “Não é lucro eu sair do Centro da cidade cinco horas da tarde para ir até o Jacintinho atender uma pessoa. Já teve dias que preferi ir levar a minha filha no shopping e só voltar a trabalhar quando o trânsito estivesse mais livre e não me arrependo”, revelou.

Táxis demoram e empresas perdem clientes

As empresas de táxi concordam que realmente está difícil transitar pela capital. A justificativa, além do trânsito é que os taxistas colaboram para que o serviço fique ainda mais demorado. Ítalo Sérgio Lessa, diretor administrativo da empresa City Taxi disse ao Tudo Na Hora que deixou de fechar contratos com algumas empresas por conta da demora e do fato dos taxistas escolherem se vão ou não atender às solicitações.

A empresa atende aproximadamente 850 pessoas por dia. Desses pedidos, segundo o diretor administrativo, 20% são cancelados. “Na maioria das vezes, não há táxis disponíveis para atender todos os chamados. As empresas e cooperativas de táxi não são donas dos carros, então o taxista vai atender ao cliente se quiser. Em horários de grande movimento ou com trânsito complicado, muitos motoristas preferem ficar parados, alegando que o gasto com combustível não compensa o deslocamento”, contou.

Sindicato diz que demora é normal, usuários contestam

Segundo Ubiracy Correia, presidente do Sindicato dos Taxistas, Maceió possui atualmente 3.050 taxis cadastrados que prestam serviço em 17 empresas e cooperativas . A demanda, segundo avaliação do sindicato , é normal e está dentro do esperado. “O número de táxis em atividade em Maceió é mais do que suficiente para o tamanho da população. Infelizmente, em alguns horários, a demanda aumenta e quem procura um taxi não acha. É natural”, afirma o presidente.

Quem precisa dos serviços, seja nos dias úteis ou aos fins de semana, contesta a garantia do sindicato.

Lívia Vasconcelos trabalha no Centro de Maceió, mora no Benedito Bentes e pega táxi há pelo menos cinco anos. Os gastos, os taxis que nunca chegaram e a insegurança acabaram motivando a jornalista a buscar outras formas de voltar para casa aos fins de semana.

“Eu preciso pegar táxi há muito tempo. Eu moro longe e geralmente não tenho carona, por isso, mesmo a contragosto dos meus pais, pego táxi à noite. Já cheguei atrasada nos lugares porque pedi um táxi que simplesmente não chegou. Nem satisfação deram. Há um tempo, umas amigas me falaram de um taxista que só levava gente conhecida. Desde esse dia, eu dou preferência a ele, porque diminui as chances de acontecer alguma coisa à noite, quando estou sozinha, e também ajuda o bolso”, relata.

A estudante Ananda Zambi contou que muitas vezes os taxistas ignoraram o pedido para levá-la para algum lugar. Em outras situaçoes, a estuadnte ligou para as empresas e não haviam carros disponíveis durante os fins de semana.

“Fui ao teatro recentemente e quando a peça acabou, chamei o taxi para voltar para casa. Esperei mais de 40 minutos e o carro não chegou. Comecei a ficar com medo de ficar sozinha na rua e acabei pegando um taxi que parou na porta do teatro. Já teve outras situações em que eu estava com pressa, acenei para o taxista que estava livre, mas ele me ignorou”, contou.

Débora Muniz, que também é jornalista, disse que já chegou várias vezes atrasada no trabalho por não conseguir encontrar um táxi disponível de manhã. Ela contou que o problema se agrava aos fins de semana, principalmente durante a noite noite. “ Há algumas semanas eu estava em um barzinho e pedi um taxi para ir embora. O táxi demorou tanto que o bar fechou e eu resolvi esperar no posto de gasolina, que ficava em frente. Liguei várias vezes pra empresa e a atendente desligou o telefone na minha cara. Tive que esperar mais de duas horas no posto por outro taxi”, lembrou.

Taxi pela internet com mais segurança

Escolher o veículo, saber a rota que o taxista está fazendo até chegar ao seu encontro, ver o rosto do motorista antes de o carro chegar. Essa é a proposta do novo sistema online que o Sintaxi está trazendo para Maceió. O novo serviço pretende dar mais comodidade, segurança e a certeza de que o táxi solicitado vai realmente chegar até a pessoa. A previsão é que o serviço já esteja disponível na capital em novembro.

Ubiracy contou que o serviço Waytaxi vai facilitar o serviço do motorista e do usuário, que vai ter disponível pela internet todas as informações do taxista que vai fazer a corrida, bem como trajeto e o tempo estimado para que o táxi chegue.

“É mais segurança tanto para os taxistas quanto para os usuários. Quando o sistema estiver funcionando, taxista e passageiro poderão acompanhar em tempo real toda a movimentação por smartphone, tablet ou computador. Vai facilitar muito, além de reduzir os custos e a espera pelos táxis. Tenho certeza que boa parte das reclamações dos clientes serão reduzidas”, comemora.

Como vai funcionar

O usuário fará um cadastro inicial no site waytaxi.com.br informando seus dados pessoais.  A pessoa receberá um login e uma senha por email para acessar sua conta. Toda vez que a pessoa realizar uma solicitação, todos os taxistas da cidade cadastrados neste sistema serão notificados.

O taxista também vai poder visualizar as informações das pessoas que estão solicitando a corrida, aceitando ou não o pedido. Assim que um taxista aceitar a sua solicitação, você receberá um aviso pelo site, um e-mail e um sms com os dados do motorista que irá lhe atender e em quanto tempo ele chegará até você.

O presidente do Sintaxi disse que no início de setembro os motoristas começarão a ser cadastrados. Depois que os cadastros forem finalizados, o sindicato vai começar a organizar a forma como os motoristas vão receber os equipamentos que precisam ser instalados no carro para oferecer o serviço. “Todos os veículos terão um GPS e um tablet ou smartphone, para o motorista saber a localização do cliente”, completou.

Link para acesso: http://tudonahora.ne10.uol.com.br/noticia/maceio/2012/09/02/203709/taxistas-ignoram-clientes-e-carros-somem-da-praca-em-maceio

Em 2012, dezesseis moradores de rua foram mortos em AL

21 out

*Matéria publicada no portal Tudo Na Hora

Um homem encapuzado se aproxima, dispara alguns tiros e foge. Assim descreveu um morador de rua um assassinato que presenciou recentemente em Maceió. Até a última sexta-feira (15), dezesseis pessoas que viviam nas ruas foram mortas este ano no estado. A maioria dos crimes, treze mais especificamente, foi praticada com arma de fogo enquanto a vítima dormia. Os dados são da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL), que denuncia que nenhum dos crimes foi esclarecido pela polícia. O motivo seria a falta de abrangência das ações da Delegacia de Homicídios.

Com a missão de investigar assassinatos, a Delegacia de Homicídios não consegue dar conta de todos os crimes deste tipo que acontecem na capital. Suas ações ficam restritas aos homicídios ocorridos nas áreas do 2º Distrito, que cobre a região que vai do Centro até a Jatiúca; do 8º Distrito, responsável pelo Benedito Bentes; e do 10º Distrito, responsável pelos bairros do Eustáquio Gomes, Santos Dumont e regiões próximas.

As investigações de todos os demais homicídios ficam a cargo da delegacia mais próxima do local do crime. Segundo a assessoria de comunicação da Polícia Civil, ainda não há previsão de ampliação das investigações da delegacia para o restante da capital (saiba mais aqui).

Até mesmo a contagem dos assassinatos de moradores de rua é deficiente. Não há um sistema de monitoramento na Secretaria de Defesa Social (Seds). A própria secretaria diz que os números obtidos geralmente são baseados nos relatórios do Instituto Médico Legal (IML) ou da Polícia Militar, e, ainda assim, o órgão não confirma nenhum dos números que chegam ao conhecimento público.

“É muito arriscado quantificar o número de moradores de rua assassinados, já que a secretaria não dispõe de um sistema de monitoramento que aponte com precisão se as pessoas assassinadas realmente moram na rua. A Seds não confirma nenhum dos números já divulgados pela imprensa em anos anteriores, nem de nenhuma outra organização”, explicou a assessoria do órgão.

Sem ações preventivas, violência foge do controle

Em 2010 foram contabilizados 33 homicídios de moradores de rua; treze a mais que em 2011. Apesar da queda no ano passado, para a Comissão de Direitos Humanos da OAB, o primeiro semestre de 2012 já é considerado o mais violento dos últimos dois anos, com 16 mortes registradas.
Defensora de políticas públicas para moradores em condição vulnerável, a Comissão de Direitos Humanos cobra do estado e do município ações de reinserção social para pessoas que vivem nas ruas da capital. O presidente da Comissão, Gilberto Irineu, diz que projetos voltados para a ressocialização evitariam muitos crimes. Ele afirma que o município de Maceió não está cumprindo os projetos do Plano de Ação de Metas Municipais para moradores de rua.
“A prefeitura até agora não cumpriu nenhuma das especificações do plano que são voltadas a essa população. Não houve nenhum projeto de geração de renda, nem de educação e nem previsão para remoção dessas pessoas das ruas. Desde junho do ano passado alguns desses projetos foram debatidos com a Comissão de Direitos Humanos, mas o que vemos é o descaso. Nem o número alto de mortes desperta no poder público o interesse em mudar essa realidade”, avaliou.
Irineu também questiona a ação da polícia nas investigações dos crimes, afirmando faltar “rigor”. Segundo os levantamentos feitos pela comissão da OAB, em 2011 apenas quatro homicídios de moradores de rua foram esclarecidos. “Infelizmente, vejo isso como um descaso com os moradores de rua e com a sociedade”, avalia.

Um refúgio que pode fechar

Sem família, emprego e às vezes até sem identidade social, muitos moradores de rua encontram alento nas poucas casas de apoio espalhadas por Maceió. O Tudo Na Hora visitou uma delas. Situada na ladeira da catedral Metropolitana de Maceió, o abrigo passa despercebido entre as casas vizinhas. Apenas uma pequena placa indicando a “Casa Ranquines” e o movimento de moradores de rua atraem poucos olhares de quem passa pelo local. A casa atende cerca de 300 pessoas diariamente e ameaça fechar no fim deste mês por conta de uma ação de despejo movida pelo proprietário.
Luciano de Araújo Alves é funcionário voluntário da casa, que é mantida apenas com doações e apoio da Arquidiocese de Maceió. Ele explica que os frequentadores tem direito a café da manhã, almoço e jantar. Apesar de a casa não oferecer o suporte necessário, alguns deles passam as noites por lá.
O grande problema para manter o abrigo é a ação de despejo que o proprietário do imóvel já anunciou para o fim deste mês. “Ao renovar o contrato em dezembro passado, fomos informados que teríamos que deixar a casa. Estamos em processo de compra, mas o imóvel custa R$ 250 mil e só temos 10% deste valor. Nossa única esperança é que doações sejam feitas para que possamos comprá-la para manter esse trabalho”, disse Luciano.
A região onde o espaço funciona é também a área onde foi registrada a maioria dos assassinatos deste ano. Dos 14 homicídios em Maceió, seis deles aconteceram no Centro. Luciano conta que muitos dos que foram assassinados frequentavam o espaço diariamente. Um dos últimos moradores de rua morto, o Fabinho, executado a tiros em frente ao 1º Centro de Saúde, na Levada, costumava fazer as três refeições com sua esposa no local. “Ele, como todos os outros, vinha aqui pra comer, às vezes pedia para tomar banho e até para fazer curativos. Infelizmente, ele foi mais uma vítima das estatísticas”, relembra.
O projeto da Casa Ranquines funciona em Maceió desde 2009 e conseguiu tirar das ruas 25 pessoas nos últimos dois anos. Enquanto o dinheiro para a compra da casa não chega, a equipe procura na região uma residência para funcionar provisoriamente. “O Estado não ajuda, então acabamos dependendo somente da boa vontade alheia. Se a casa fechar, serão 300 moradores de rua que vão ficar sem comida e atenção, podendo virar vítimas da violência”, desabafou Luciano.

Como acontecem os crimes

Testemunhas do descaso da sociedade, muitos moradores de rua confidenciam detalhes de como se procede a ação dos criminosos. Luciano conta que alguns deles já relataram que, geralmente, os assassinos chegam ao local do crime encapuzados, a pé ou de motocicleta, chutam as vítimas e disparam os tiros. Em outras ações, os agressores espancam as vítimas com chutes e pauladas, mas o fato de estarem sempre encapuzados dificulta o reconhecimento. “Eles nos têm como parentes e sentem confiança para nos contar o que passam enquanto dormem nas ruas”, afirma.
No começo deste ano, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, afirmou que “não se trata mais de fatos isolados”, referindo-se à “ação de grupos de extermínio” que estão atuando em alguns estados brasileiros, entre eles, Alagoas. “São grupos que banalizam a violência e que não reconhecem a condição humana em quem está nas ruas”, declarou Maria do Rosário, ao ressaltar que é papel do governo responder diretamente à escalada de violência nas ruas, registradas especialmente no Distrito Federal e nos estados de Alagoas, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Bahia.

Link para acesso: http://tudonahora.ne10.uol.com.br/noticia/maceio/2012/06/17/192745/em-2012-dezesseis-moradores-de-rua-foram-mortos-em-al

Rio Carrapatinho: o afluente abandonado do Catolé

20 out

Matéria especial publicada no portal Tudo Na Hora

*Com Débora Muniz

O Rio Carrapatinho sempre teve importância na vida da população do bairro do Rio Novo. As águas, que já foram límpidas e motivo de orgulho dos moradores, hoje, recebem esgotos e lixo. As canoas e pequenas embarcações, que antes transportavam peixe e sururu, passaram a levar até as margens a areia extraída do fundo do rio e é a atual fonte de renda de alguns moradores.

Apesar de estar inserido na Área de Proteção Ambiental (APA) da região do Catolé e Fernão Velho, o Rio Carrapatinho não possui nenhum projeto de revitalização ou tratamento, ficando esquecido entre propriedades rurais. Segundo o engenheiro civil especializado em Hidráulica e Saneamento, Eduardo Lucena, as soluções para o descaso e a poluição de suas águas podem estar no Plano Municipal de Saneamento Básico.

O engenheiro faz parte da comissão de professores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) selecionada para executar o plano.  De acordo com ele, os rios que estão dentro de Maceió serão beneficiados com ações despoluidoras. Está previsto para outubro o início das análises e estudos em todas as regiões da cidade. Essa fase deve durar um ano e meio e irá servir como base para as ações que serão executadas.

Sem acreditar nas propostas vindas da esfera pública, pelas ruas do Rio Novo o discurso é um só: “o Carrapatinho nunca teve a atenção do governo”. As palavras são da professora aposentada Maria José Cardoso, de 62 anos, mais conhecida no bairro como Dona Lia.  Nascida no local, Dona Lia viu de perto todo o processo de formação do bairro e da poluição do rio. “Quando isso aqui ainda era um sítio, o pessoal tomava banho, bebia água e pescava. O Carrapatinho era fundo, largo e muito bonito por ser límpido, mas a população foi crescendo, começaram a jogar esgoto, lixo e dejetos industriais nas águas até que ele ficou assim, imundo. Hoje o descaso público matou o rio”, desabafa.

A região que compreende a área de preservação ambiental do Catolé sofre por igual com a degradação. Estudos realizados pelo Instituto Federal de Alagoas (Ifal) apontam que a devastação acontece pelo fato de a região estar em desenvolvimento constante apesar de não possuir estrutura para comportar tais mudanças, o que resulta um estágio acelerado de deterioração ambiental na área. Os resultados não poderiam ser piores: desmatamento da vegetação, ocupação desordenada do solo em áreas dentro e no entorno da área preservada, lixo urbano, dejetos de animais, lançamentos de resíduos industriais, entre outros.

Ao longo dos 72 anos que envolve o processo de constituição do bairro de Rio Novo, o Carrapatinho foi de um extremo a outro. O rio de águas límpidas se tornou um estreito caminho poluído por onde as águas ainda passam até chegar à Lagoa Mundaú. Os peixes e crustáceos dos manguezais foram substituídos por lixo. A extração da areia é a única fonte de renda proveniente do rio para alguns moradores que tentam sobreviver com o que aquelas águas ainda podem dar. Apesar de a atividade ser uma prática clandestina e sem licença ambiental, os moradores não tem o conhecimento do impacto no meio ambiente e a contribuição para o assoreamento do rio. As pequenas montanhas de areia custam, em média, R$ 40, e geralmente são vendidas para depósitos de construção. Estudos de impacto ambiental na região realizado pelo Ifal apontam que a atividade que movimenta o rio é um agravante social pelo fato de representar o único meio de vida para muitos homens que exercem essa atividade.

Antigos e novos projetos, todos no papel

A APA e o Plano Municipal de Saneamento são algumas das análises de impacto ambiental com propostas voltadas para a revitalização do Rio Carrapatinho que se tem conhecimento. O que poderia ser motivo de esperança para os moradores não tem previsão para entrar em execução. Segundo Dona Lia, os projetos nunca saíram do papel.  “Uma vez ou outra algum técnico aparece lá no rio, mas até onde eu sei só foi feito algo pelo Rio Novo na época do governo do prefeito Sandoval Caju”, afirmou.

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH), a área de preservação do Catolé e Fernão Velho compreende parte dos municípios de Maceió e de Satuba, incluindo a Mata Atlântica situada nas encostas do Catolé, Rio Novo e Fernão Velho, além dos riachos Catolé e Aviação e os manguezais da Lagoa Mundaú. Por telefone, o gerente de comitê de bacias, Eduardo Santa Rita, afirmou que a superintendência de recursos hídricos não tem nenhum projeto que contemple o rio Carrapatinho.

Para reger a área, um conselho gestor com representantes da sociedade civil e instituições públicas foi nomeado em novembro de 2009. Porém, não existe nenhuma representação de Rio Novo. A Universidade Federal de Alagoas (Ufal), um dos órgãos integrantes do conselho, possui um Núcleo de Educação Ambiental com um projeto direcionado a esta área. O projeto é desenvolvido para levar conscientização às escolas públicas da região, mas no site da instituição não existe o cadastro de nenhuma das duas escolas públicas do bairro.

O Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), que também faz parte do conselho, afirma em seu site que possui uma sede dentro da área preservada a fim de reduzir as possibilidades de atividades clandestinas e degradantes do ambiente. Os estudos realizados pelo Ifal dão conta que a bacia do Catolé está degradada não só por questões socioeconômicos e fatores biológicos, mas também pela falta de programas de educação ambiental nas comunidades e de fiscalização mais eficiente que inibam crimes ambientais.

Outra proposta que pode contemplar não só o rio Carrapatinho, mas também todas as bacias hidrográficas de Maceió é o plano municipal de saneamento. O plano nada mais é que uma exigência da Lei Federal de Saneamento, que pretende levar saneamento a todas as cidades brasileiras até 2014. O projeto aprovado prevê normatizar os serviços de água, coleta de esgoto, resíduos sólidos, além de trabalhar um plano local de habitação de interesse social, que vai avaliar áreas de urbanização na cidade e realizar um trabalho com a população.

“O projeto que submetemos ainda é uma proposta de ação. Ainda não temos nenhum resultado, pois não iniciamos nossas atividades. A única informação que tenho a respeito do saneamento é o que se encontra no site da Casal”, afirmou o engenheiro Eduardo Lucena.

De sítio a bairro: o ‘percurso’ do Rio Novo

A canoa com pouco mais de 80 centímetros de largura, conduzida pelo pescador aposentado José Fernandes Prado, 65, hoje em dia, só navega nas águas do Carrapatinho para passeio. O rio raso, estreito, poluído e com suas margens cobertas por capim, nem de longe lembra aquele que era fonte de renda de alguns moradores da região. “Quando o bairro de Rio Novo começou a se formar esse rio era uma coisa linda, com aquela água limpa que todo mundo bebia, tomava banho e até cozinhava. O povo pescava no rio e tirava sururu da lagoa.”, relembra o pescador.

O rio Carrapatinho possui ligação direta com a história do bairro. A grande quantidade de mamonas, popularmente conhecidas como ‘carrapateiras’, deu nome ao sítio e ao rio que banha a região. Na década de 40, existiam apenas 50 casas. A expansão populacional, porém, acabou tornando o vilarejo de pescadores uma área marginalizada do bairro vizinho de Fernão Velho, que tinha como principal característica a atividade industrial têxtil na Fábrica Carmem.

Segundo Dona Lia, a maior parte dos moradores do Rio Novo se dividia entre funcionários da fábrica e pescadores. “A fábrica alugava algumas casas na vila operária em Fernão Velho, mas para fugir do alto valor descontado em folha, muitos moradores vieram morar no sítio. Outra parte dos moradores sobrevivia da pesca e da retirada de caranguejo dos mangues”, relembra a professora.

A partir da década de 60, com o crescimento da população dos bairros circunvizinhos o processo de poluição acabou agravado. Foi em meio à ditadura militar, no ano de 1964, mandato do prefeito Sandoval Caju, que o sítio se transformou em bairro. O progresso chegou com muitas mudanças, a principal foi a alteração no curso do rio Carrapatinho. Uma dragagem influenciou sua passagem pela extinta Granja São Geraldo para a construção de uma ponte. Com a mudança, o sítio deixou de se chamar Carrapatinho e se tornou bairro de Rio Novo. Também durante esse período foi construída uma estação para a parada do trem e a Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Pedro Café.

A extração de areia é o que movimenta o rio nos últimos vinte anos. Seu José Prado e boa parte dos moradores que nasceram no antigo sítio Carrapatinho, continuam sem perspectiva de um dia voltar a ver o rio limpo. “Infelizmente a população tem culpa por ter poluído o rio, mas o governo também não mostra vontade de fazer algo por nós. O rio tá aí, sumindo no meio do mato, o pessoal parou de pescar e não toma mais banho nele com medo de pegar uma doença. Eu parei de pescar aqui tem mais de dez anos e pelo jeito que as coisas andam, só vai sobrar a sujeira dele para contar a história”, disse o ex-pescador.

Ação no Benedito Bentes é resposta à população, diz Polícia Militar

20 dez

Os cerca de 130 policiais deslocados para uma ação no Conjunto Carminha e mais seis áreas, na manhã desta quinta-feira (28), no Benedito Bentes, fizeram abordagens em residências, apreenderam materiais e prenderam dois jovens. A ação faz parte de um conjunto de medidas para combater a violência na região, que inclui toque de recolheer e Lei Seca.
A ofensiva ao tráfico ocorreu após o brutal assassinato da dona de casa Maria de Lourdes de farias Melo, que foi esquartejada por traficantes no último domingo (24). Na operação desta manhã, a polícia não conseguiu prender o grupo de cinco jovens acusados no crime. Equipes da Polícia Militar chegaram a realizar abordagem a residências de alguns suspeitos de participação na morte da jovem, porém eles fugiram antes da chegada dos policiais.
Uma das residências investigadas foi a do adolescente de 16 anos identificado como ‘Vovô’, que é apontado como o chefe do grupo. A residência ainda estava com a televisão ligada quando houve a invasão policial. Ele fugiu pelos fundos da casa que dá acesso à Grota da Alegria. Fotografias e uma impressora foram apreendidos.
Em outra residência abordada, apenas a esposa de um homem envolvido com tráfico de drogas estava no local. Dois jovens foram detidos após pular o muro de uma residência. A polícia não divulgou se eles também têm envolvimento com os crimes.
Ação e resposta
O comandante do Centro de Policiamento da Capital (CPC), Gilmar Batinga, disse que a ação é uma resposta à população pela onda de violência e que acabou agravada com o brutal assassinato da dona de casa no último domingo.
De lá para cá, o policiamento foi reforçado com 130 policiais divididos entre o 5º Batalhão, Radiopatrulha, Cavalaria e o Batalhão de Operações Especiais (BOPE), que atuarão 24 horas por dia no bairro. O trabalho continuará até que o grupo seja preso, disse o comandante.
A Polícia Militar já chegou ao nome de pelo menos 15 pessoas que tem envolvimento com tráfico de drogas e outros crimes na região do Benedito Bentes. Só no conjunto Carminha, a polícia procura por cinco: ‘Vovô’, apontado como o chefe do grupo; ‘Jamaica’; ‘Fel’; ‘Pezão’ e ‘Belas Pernas’. Dionísio, que também pertence ao grupo, foi preso em maio durante uma operação que cumpriu mandados de busca e prisão.
De acordo com a polícia, no último domingo, o grupo comandado por ‘Vovô’ executou Maria de Lourdes após ela denunciar pessoas ligadas ao tráfico e crimes na região. Ela foi arrastada pelos assassinos de dentro de sua residência, morta e esquartejada. O corpo foi abandonado no meio da rua.
Moradores silenciam crimes
A comunidade pobre, que vive às margens do atual aterro sanitário sofre lada com a violência. O medo de denunciar e acabar morrendo como Maria de Lourdes atrapalham as buscas da polícia. Durante toda a ação dde hoje, muitos moradores fecharam as portas e outros não falaram com a imprensa.
A própria polícia pede que população ajude a combater a criminalidade denunciando. O ato acaba sendo dificultado com a ousadia que os grupo agem. Coronel Batinga disse que muitos moradores afirmam ter as casas invadidas e serem obrigados, sob ameaça de morte, a ficar calados durante a ação.
“Sabemos de toda a dificuldade que a população tem para denunciar os crimes, já que muitas vezes são obrigados a ver e silenciar, mas a polícia veio para cá com a intenção de restabelecer a paz na comunidade. Não há o que temer. Estamos aqui para mostrar que a polícia manda e não está de braços cruzados”, assegura.

Link de acesso: http://tudonahora.uol.com.br/noticia/policia/2011/07/28/149497/acao-no-benedito-bentes-e-resposta-a-populacao-diz-policia-militar

Falta de saneamento e coleta de lixo inadequada ameaçam abastecimento de água em Maceió

20 dez

*Matéria concorreu ao prêmio Octávio Brandão de Jornalismo 2011

Maceió está ameaçada de conviver nos próximos anos com sérios problemas desabastecimento e distribuição de água. O alerta é de Eduardo Lucena, professor doutor em engenharia hidráulica e saneamento da Universidade Federal de Alagoas. Segundo ele, o abastecimento na capital poderá ser agravado pela falta de uma estação de tratamento de água e esgoto, em conjunto com o lixo.

O engenheiro explica que, sem uma estação de tratamento de águas residuais que coletea água do esgoto e realize o tratamento para poder devolver ao rio ou mar, corre-se o risco de poluir suas fontes, e consequentemente, a população que a consome.

A questão levantada pelo Atlas do Abastecimento da Agência Nacional de Águas, divulgado no último dia 22, que prevê déficit no abastecimento de água em pelo menos 55% das cidades brasileiras, é analisada por Eduardo Lucena como um efeito dominó em Maceió.

Ele aponta que o problema no abastecimento está relacionado à falta de estrutura de saneamento e tratamento de água, atrelada ao lixo e à falta de conscientização da população. Segundo o engenheiro, a tendência do abastecimento de água em Maceió é piorar, caso o governo não implante projetos de saneamento.

“Não podemos ter uma capital com potencial turístico como Maceió sem uma estação de tratamento de esgoto. A população cresce, o governo quer desenvolver a cidade e tudo isso depende de uma boa distribuição e qualidade de água. A poluição dos mananciais acaba contribuindo para a contaminação da população, criando mais um problema ao governo”, analisa.

Mas a preocupação do professor Eduardo Lucena não é compartilhada com a direção da Casal. O presidente da companhia, Álvaro Menezes, não acredita que os bairros da capital sejam prejudicados com a falta de abastecimento de água no futuro. “A Casal está trabalhando para que todos os bairros de Maceió sejam bem abastecidos, contando para isso com a gestão da oferta de água por meio dos projetos do rio Meirim e dos afluentes do rio dos Remédios, e também com a gestão da demanda, atuando fortemente para a redução de perdas”, aponta Álvaro.

Eduardo Lucena defende que um dos grandes desafios dos gestores municipais será levar saneamento a todas as partes da cidade. A casa de Maria Gedalva de Oliveira, moradora do bairro da Levada, em Maceió, até é abastecida, mas ela reclama da qualidade da água. Por isso, a dona-de-casa é obrigada a comprar mensalmente oito galões de água mineral – 160 litros – para consumo e uso na cozinha. “Moro aqui no bairro há 20 anos e há mais de oito venho nessa luta, comprando água para beber porque a água que chega à torneira é ruim. Além de pagar a conta da Casal, ainda desembolso cerca de R$ 30 com água mineral. A qualidade não melhora e a água no mundo está sendo poluída e acabando”, desabafa.

Já na parte alta da cidade, muitos bairros ainda possuem ruas sem o mínimo de saneamento, nem abastecimento por parte da Casal. Os moradores amenizam a situação com a construção de fossas sépticas individuais, que apresentam pouca eficácia e contribuem para a contaminação dos lençóis freáticos.

Moradora de um dos conjuntos do Tabuleiro do Martins – e sem abastecimento de água da Casal – , Maria Sandra de Lima construiu um poço artesiano no quintal de sua residência. O poço tem 25 metros de profundidade, e foi construído há cerca de 20 anos, logo no início da formação do conjunto.

O grande problema, segundo avaliação do engenheiro, é o número de fossas das outras residências próximas ao reservatório, que pode comprometer a qualidade da água, provocando em alguns moradores doenças relacionadas à contaminação da água. “Na parte alta da capital, além de não ter saneamento, os poços ficam muito próximos às fossas que recebem o esgoto das casas. Isso acaba contaminando a água com microorganismos, podendo gerar várias doenças nas pessoas que consomem a água”, analisa Eduardo.

Maria Sandra diz que a água já passou por análise há alguns anos, e foi constatado que o nível de impurezas estava dentro do normal. “Antes eu fornecia água para os vizinhos, mas agora fizeram um poço que abastece o bairro. Infelizmente sei que a água fica comprometida com esse monte de fossas próximas. Quando chove tem muita gente que fica doente, porque as ruas são de areia e o lixo e os esgotos entram em contato com os poços. Mas nós vamos fazer o que? Temos que correr riscos”, denuncia.

A Casal afirma que todos os mananciais utilizados pela companhia estão em boas condições, além de acreditar que a ampliação e construção de um novo manancial vá atender a demanda da cidade.

Lixo e falta de conscientização

Sem um plano de coleta de lixo seletivo e contando com apenas um aterro sanitário, Maceió ainda tem a difícil missão de coletar as 1.400 toneladas de lixo, entre doméstico, esgoto e de construção, produzidas diariamente. Cada habitante produz em média 800 gramas de lixo por dia. Boa parte desses resíduos, como aponta Eduardo Lucena, não é tratado e acaba entrando e contato com os sistemas de abastecimento de água.

“Parte desse lixo que entra em contato com as redes de abastecimento é resultado da falta de consciência da população, que joga lixo em córregos, canais, rios, que inevitavelmente vão entrar em contato com as redes que abastecem a população. A população deve ficar atenta aos cuidados que se deve ter com a água, que anda tão escassa”, disse.

Para evitar transtornos o engenheiro avalia que, a curto prazo, o governo municipal terá que realizar obras voltadas para o saneamento, além de realizar a conscientização da população sobre os riscos da poluição da água.

“Maceió está crescendo e a população acompanha esse crescimento. Se não começar a se pensar em políticas públicas de saneamento e tratamento de lixo e resíduos, a previsão para Maceió não é nada animadora. A população tem uma enorme parcela de culpa sobre os transtornos com água da atualidade e deve ter consciência que o papelzinho que se joga na rua, o lixo jogado num riacho, vai acabar interferindo no meio ambiente, futuramente trazendo sérias conseqüências ao homem”, alerta.

Link de acesso: http://tudonahora.uol.com.br/noticia/maceio/2011/03/30/135435/falta-de-saneamento-e-coleta-de-lixo-inadequada-ameacam-abastecimento-de-agua-em-maceio

TCU aponta superfaturamento de R$ 9 milhões em obra do Dnit/AL

20 dez

*Matéria foi destaque no portal UOL

Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União entre 18 de janeiro e 13 de maio deste ano em 63 obras em rodovias brasileiras feitas sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit) apontou irregularidades em seis. Uma delas está em Alagoas.

As obras com indícios de irregularidades, segundo o TCU, estão nas rodovias BR-101 (AL e RN), BR-487 e BR-376 (PR), BR-230 (PA), e BR-429 (RO). Os problemas incluem a recuperação de trechos, a pavimentação e obras de melhorias, entre outros. Foi recomendada a paralisação imediata de todas elas, que também podem ter a suspensão do repasse de recursos.
A auditoria em Alagoas analisou o Edital 0427/10-20 para contratação de uma empresa responsável pela execução de obras de manutenção da BR-101 nas divisas com Sergipe e Pernambuco. Os técnicos do TCU constataram superdimensionamento do projeto básico e sobrepreço. O superfaturamento seria de mais de R$ 9 milhões, 43,5% acima do valor estimado inicialmente.
O superintendente do Dnit em Alagoas, Fernando Fortes, houve distorção de entendimento quanto à classificação do estado da rodovia. Ele conta que o órgão considerou o estado da rodovia como regular, o que implicou em uma diferença de valores destinados para a manutenção de serviços a serem executados.
Já os técnicos do TCU quando realizaram a vistoria em fevereiro apontaram que a rodovia poderia ser considerada muito boa, o que causou a inclusão de Alagoas no ranking das rodovias irregulares. “O problema é que os técnicos não conhecem a realidade de Alagoas. Para as condições locais a rodovia não é considerada boa e isso pode ser sentido por todos os motoristas que trafegam por ela”, explica.
Fortes afirma que as obras estão paradas em processo licitatório para a contratação da empresa responsável pelo serviço, apontando para um dos erros do relatório do TCU. “Não existe obra em execução, o que está em andamento é a duplicação da rodovia, que não tem nada a ver com isso. As obras estão paradas e a culpa é do Tribunal de Contas, que avaliou de forma errada as condições de Alagoas. O atraso só vai gerar danos ao asfalto e mais gastos quando a obra for iniciada. O relatório é uma verdadeira piada”, dispara.
Fernando Fortes disse estar tranquilo quanto às denúncias envolvendo o partido no Ministério dos Transportes e quanto a possíveis ligações de sua gestão em irregularidades. “O Dnit realiza seu trabalho com lisura. Estou tranquilo quanto a denúncias, sei do nosso comprometimento com o trabalho. O que acontece é que houve erros de avaliação do TCU em Alagoas”, finaliza.
Segundo o TCU, o superfaturamento nas seis obras onde foram encontradas irregularidades soma R$ 78 milhões.

Link de acesso: http://tudonahora.uol.com.br/noticia/maceio/2011/07/21/148643/tcu-aponta-superfaturamento-de-r-9-milhoes-em-obra-do-dnit-al